O QUE ESTOU LENDO:
“NA NATUREZA SELVAGEM – A Dramática História de Um Jovem Aventureiro”, de Jon Krakauer (Companhia das Letras), livro que me foi dado como presente de Natal pelo amigo Paulo Henrique.
Depois de terminar a faculdade com brilhantismo, Chris McCandless, jovem americano saudável e de família rica, doa todo o dinheiro que tem, abandona o carro e a maioria de seus pertences, adota outro nome e some na estrada, sem nunca mais dar notícias aos pais. Dois anos depois, aparece morto num lugar ermo e gelado do Alaska. Por onde andou, o que buscava, por que morreu? Quem era realmente Chris McCandless?
Para responder essas perguntas, Krakauer refaz a longa saga do aventureiro até seu triste desenlace. Uma história verdadeira, mas com todos os ingredientes de um romance de ficção. “Um relato fascinante sobre idealismo, fantasia e também sobre o lado terrível da experiência de contato direto com a natureza” (Paul Theroux) Sensacional.
Altamente recomendável para aqueles que gostam de aventuras. Neste livro, Jon Krakauer se propõe a decifrar um enigma: quem era e o que buscava Chris McCandless, o rapaz inteligente, equilibrado e rico que largou a família e tudo o mais para viver maltrapilho,pedindo carona pelas estradas, e que acabou morrendo no Alaska, provavelmente de inanição, no verão de 1992. Insatisfeito com as respostas simples e rápidas, o autor de No Ar Rarefeito vai atrás das pegadas de Chris, conversa com todas as pessoas que o conheceram em dois anos de perambulação, entrevista familiares e amigos. Compara ainda a vida do jovem com a história de outros aventureiros solitários que tiveram fim trágicos e invoca episódios de sua própria história pessoal para tentar entender o que se passava na mente de McCandless quando se interessou quando se internou sozinho na vastidão gelada do Alasca.
Ao refazer a trajetória emaranhada de McCandless, Krakauer revela-nos o mundo instável dos que vivem à margem da sociedade americana, gente à deriva, reunindo-se e dispersando-se ao sabor das estações., pegando carona ou circulando com seus carros velhos, vivendo das sobras da sociedade afluente. Acampamentos no deserto, comunidades reunidas sobre os escombros de construções militares, cidades fantasmas, trailers abafados, várias gerações de contestadores, desajustados ou simplesmente marginalizados: tudo isso compõe o pano de fundo revelador da odisséia do rapaz. E mergulha também no mundo simplório da pequena cidade rural, no âmago da América do Norte, dos macacões encardidos e do bar iluminado pela luz azul da televisão sempre ligada, onde homens rudes bebem e conversam em frases curtas sobre o tempo e a colheita. Uma das partes que eu destaco do livro, é uma passagem onde Chris escreve a um amigo seu, Ron (que conheceu durante a aventura e que tinha 81 anos de idade): “Ron, eu realmente gostei de toda a ajuda que você me deu e do tempo que passamos juntos. Espero que não fique muito deprimido com nossa separação. Pode levar um bom tempo até que a gente se veja de novo. Mas desde que eu saia inteiro desse negócio do Alasca você terá notícias minhas no futuro. Gostaria de repetir o conselho que lhe dei antes: acho que você deveria realmente promover uma mudança radical em seu estilo de vida e começar a fazer corajosamente coisas em que talvez nunca tenha pensado, ou que fosse hesitante demais para tentar. Tanta gente vive em circunstancias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso que parece de paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito do homem que um futuro seguro. A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura.


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