segunda-feira, fevereiro 09, 2026

SERGIO VAHIA, O GRANDE GUERREIRO


NOVENTA E CINCO ANOS DE VIDA BEM VIVIDOS não é pra qualquer um!!!

Esse é o meu amigo Sergio Vahia. Muito mais que um amigo, um pai... uma fonte de inspiração.

Passando por alguns momentos difíceis. Dando um "retoque na funilaria/mecânica" e amolando o facão para "abrir novas picadas".

Fico aqui, no conforto do meu "estúdio", recordando algumas passagens de nossas vidas e me vejo na obrigação de deixá-las aqui registradas.

Assim que conheci o Sergio, no início da década de 2000, ele era o típico senhor aposentado cheio de histórias para contar. A sorte foi que tínhamos muito em comum em relação ao modo de viver (muitas aventuras e um espírito inquieto). Houve uma conexão imediata entre nós. Sergio é uma pessoa que tem muitas histórias para contar e assim o fez ao publicar sua autobiografia, DA MATA ATLÂNTICA AO XINGU (os interessados pela versão impressa ou digital, entrar em contato).

Quando o conheci e fiquei sabendo de todas as suas aventuras, fiz a pergunta clássica:

- Mas você vai deixar todas estas histórias 'guardadas na gaveta'?

- Mas o que eu posso fazer? Ninguém se interessa por esse tipo de coisa. - respondeu ele sem muita empolgação.

Argumentei que ele estava enganado, que as suas histórias eram de interesse público e que ele fazia PARTE DA HISTÓRIA do desbravamento da região do Xingu/MT. Insisti que deveríamos resgatar sua história e que a INTERNET estava aí para isso. Foi a partir desse momento que comecei a ter acesso ao material fotográfico que ele guardava em antigos álbuns e começamos a buscar lá no fundo de sua memória as lembranças de todos aqueles momentos vividos por ele.

Parece que tudo isso acabou reacendendo a chama que existia dentro do meu amigo e com isso ele resolveu REVISITAR os locais por onde havia passado décadas atrás. A primeira viagem que ele resolveu fazer foi até a cidade de Xavantina-MT (hoje, Nova Xavantina), uma viagem de 600 km.

De idade avançada, problemas de locomoção nas pernas e um 'pescoço duro' (como ele próprio afirmava), dirigir pra ele era outra aventura (aventura maior ainda para quem o acompanhava). Na época, Dona Irani, sua companheira, disse que ele só viajaria se eu o acompanhasse, preocupada com o fato de ele ter que dirigir por uma distância tão longa. E fui logo alertado:

- Tome cuidado que ele dorme com os olhos abertos.

Depois desse aviso, viajei o tempo todo com as costas apoiadas na porta do veículo (no lado do bando do passageiro, olhando o tempo todo para o Sergio, para evitar um cochilo ao volante). Conversar era essencial para mantê-lo acordado e na viagem de ida não faltou assunto. O grande problema foi a viagem de volta. O cansaço bateu e tive que alertá-lo várias vezes durante o percurso. Sergio mantinha os olhos abertos e fixos na estrada... o sinal de que ele estava começando cochilar era a boca, que se abria e ele dava uma "pescada". Eu segurava levemente o volante antes de chamá-lo. Eu insistia para que me deixasse dirigir mas ele argumentava que eu não tinha CNH, apesar de já dirigir há 17 anos.

Foi alguns anos depois desse episódio, que Sergio decidiu que eu precisava tirar a minha CNH para dirigir pra ele. É bem provável que eu estivesse dirigindo até hoje sem a tal CNH se ele não tivesse me dado esse presente. Apesar de tudo, ele nunca me deixou dirigir, alegando que eu  não tinha experiência na rodovia




A segunda viagem que fizemos, novamente para a cidade de Xavantina, para participar da "Festa em Homenagem aos Pioneiros e Amigos da Marcha Para o Oeste", fomos de ônibus. Sergio já começava a sentir o peso dos anos e decidiu que de ônibus seria menos cansativo.

O percurso é feito inicialmente de Goiânia-GO a Barra do Garças-MT, onde é feito uma troca de ônibus. O primeiro é um ônibus alto, onde os grandes bagageiros na parte inferior deixa o veículo com uma aparência de dois andares. O motorista fica na parte inferior e logo acima dele seis poltronas na parte frontal. Sergio decidiu que queria ir sentado naquele lugar, apesar de que sua passagem tivesse uma numeração no meio do veículo.

Assim que entramos pela estreita passagem, o Sergio na frente e eu atrás, preparado para evitar uma possível queda, uma vez que ele usava muletas, 


 

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